Adaptar, adaptar, adaptar

terça-feira, abril 04, 2017


Nós engordamos. E emagrecemos também. Perdemos formas. Ganhamos formas. Perdemos, até, mais coisas... às vezes. Cabelo. Auto-estima. Serenidade. Criatividade. Não deixamos de ser quem somos, mas... não conseguimos ser o que poderíamos ser no nosso expoente máximo. A vida é cheia de partidas. É um percurso acidentado e, tal como ela, é normal que a nossa imagem não reflicta um rosto - e um corpo - lineares. Isso parece-me ser a melhor mensagem em relação à nossa imagem: nunca será estanque... e - verdade das verdades - nunca será perfeita.

Há que assumir, sem constrangimentos, que todos nós temos períodos menos bons nas nossas vidas. Tanto quanto há que assumir que todos nós já cometemos erros ao vestirmo-nos. A boa notícia é: desistam de se frustrarem. Os erros vão continuar a existir e fazem parte da(s) tentativa(s). Assim como vão continuar a existir os dias do pijama, do fato treino cheio de nódoas de lixívia, ou das leggings versão fitness-farda. As mulheres - e os homens - são humanos, então é bom que comecemos a olhar para ambos como tal. Como alguém que num dia até certou nas peças que conjugou e no outro a seguir errou em quase tudo. Nunca li a moda nem a imagem como disciplinas rígidas - para mim elas não fazem sentido se não forem para ajudar, (ou assessorar), as pessoas a reinventarem-se. 

Reinvenção. É nisto que acredito que se resume grande parte do que andamos p'raqui a fazer. Esta ideia do sermos coerentes - e imaculados - é uma grande chatice. (nem a Carrie Bradshaw partilhava dela). E é acima de tudo uma atitude castradora. Podemos, e devemos, viver as diferentes esferas da nossa vida de uma forma sincera, porque como eu costumo dizer, o que não é sincero... não é elegante. 

Temos de aceitar as fases menos boas e menos criativas como uma parte de nós. Ninguém é perfeito. E ninguém se veste, todos os dias, harmoniosamente. Mesmo que vista, uma coisa não é sinónimo da outra. Preocupa-me um bocadinho que as pessoas interpretem mal "moda" e "imagem". Bom... mal interpretadas são todos os dias, mas não é a isso que me refiro. Refiro-me a quem percebe essas duas palavras sem lhes associar conteúdo. Todos os criadores de moda perdem horas a criar conceitos. Cada colecção é uma obra. A expressão artística é um pensamento intelectual e é por isso que é importante colocar as pessoas a pensarem ao invés de comprarem. (embora a moda acabe por fazer as duas coisas).

Não estamos, nem somos, perfeitos todos os dias. E isso é mais do que normal. Estranho seria se não o fosse. É por isso que continuo a dizer o que sempre disse: o segredo é, tentar, pelo menos, adaptar. 

Adaptar o que (nos) for possível. 
E seguir em frente. Conforme se puder.

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1 comments

  1. Até porque nem todos os dias há disposição para re(inventar).
    Adaptar, é o mais certo.

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