Consultoria de imagem: o mito urbano

segunda-feira, abril 03, 2017


O meu interesse pela área da moda - e da imagem - (só) ganhou relevância depois da faculdade. Foi na altura em que me mudei, por questões profissionais, para Espanha, (2007), que decidi investir nessa área de formação. 10 anos atrás. (como o tempo passa). O que me agradava na oferta formativa estrangeira era a associação entre moda e comunicação - terreno ainda verde em Portugal - e foi essa a principal razão pela qual decidi investir no savoir-faire de nuestros hermanos

Ao contrário da maioria das pessoas com apetite pela consultoria de imagem, o meu objectivo nunca foi o de trabalhar com clientes particulares. Não sinto que seja a minha maior vocação - e quanto a isso prefiro ser honesta - e sinceramente, o prazer que esse tipo de serviços dá não me diz muito. Muitos jovens - e alguns adultos também - têm tendência a dourar um bocadinho as aparências mais do aquilo que elas realmente são. Trabalhar em moda é andar, constantemente, numa montanha russa... mas não é só isso. Considero a consultoria de imagem - ou assessoria - prefiro este último nome, um processo bastante introspectivo, e portanto quem o faz, quer seja cliente, quer seja prestador, deve levá-lo a sério. 

Eu considero a imagem importante... mas não a considero fun-da-men-tal e talvez seja isso o que não me faz comprometer-me mais. Portanto todas as ferramentas e especializações que fui adquirindo ao longo do tempo foram postas ao serviço dos vários projectos de que fiz parte. Para mim as coisas fazem sentido em conjunto e não isoladas, mas isto é apenas o ponto de vista que serve os meus propósitos. Estou certa que outras pessoas - e profissionais - pensarão de forma diferente. Agora, acho que ao fim de alguns anos no mercado de trabalho, e nestas áreas em concreto, estou habilitada a tecer alguns comentários sobre aquilo que eu acho que se passa no mundo da moda e da imagem. Primeiro, Portugal é um país fantástico em muita coisa, mas... não tem a escala dos outros. Essa diferença toponímica é capaz de ter influência nas profissões que se escolhem. 

Segundo, a consultoria de imagem não é uma profissão da qual possam retirar o vosso rendimento principal. (pode acontecer se for a única profissão que têm). Não é um bem nem um serviço de primeira necessidade, e isso já diz muito da rentabilidade que tem nos dias que correm. É uma profissão moderna, onde poucos se destacam e que alguns têm a sorte de ter como ocupação principal. Terceiro, caiu-se no erro gigante de vender sonhos, e insuflar egos, sem se falar das dificuldades. Com a democratização da moda, o aparecimento dos trend-setters - formadores de opinião e bloguers - muita gente começou a reclamar para si estatutos que antes só eram atribuídos a uma classe exclusiva de pessoas. Ora bem, esse turning point só veio credibilizar - ou descredibilizar - o trabalho de quem realmente tem algo (de útil) a dizer. Para além de todas essas zonas cinzentas em que aparece envolta, a consultoria de imagem é uma área sem lei e sem regras. Tanto se dá formação sobre imagem nas escolas de moda como se dá nas escolas de cabeleireiro. Não me parece mau que isso aconteça. Parece-me mau que as pessoas não saibam nem percebam a diferença.

Quarto. Nós nunca seremos bons em nada sem (muito) trabalho de campo. Leia-se experiência. Nunca confie num consultor de imagem se ele não tiver experiência concreta no terreno. Querem exemplos? Eu dou. É óbvio que as pessoas podem ter mais ou menos sensibilidade para a moda. Acesso a formação todos têm. Ou podem ter. Mas... e experiência? Métodos de trabalho? Isso pesa muito mais do que a aparência, o look ou o estilo da pessoa a quem escolhe pagar para melhorar a sua imagem. Eu diria que ninguém é bom consultor se não confrontar a sua ou o seu cliente com o espelho. Isto significa ir deep down. Partir desse princípio é fundamental. Pode soar a cliché, mas... as pessoas, sem roupas, revelam-se. Foi sempre assim. Quando trabalhei como assistente de guarda-roupa num canal de televisão e quando trabalhei como consultora de lingerie. É por isso que acredito - e defendo - a moda... de dentro pra fora. E não o contrário.

Quinto e último, o marketing, a venda e os mal-entendidos à volta da imagem e dos serviços que os consultores oferecem. A consultoria não é um makeover e um makeover não é consultoria. São coisas diferentes. Quantas e quantas clientes já não fizeram um makeover nas mãos de alguém e voltaram ao que eram? Um makeover todos nós podemos fazer: basta vestirmos algo diferente do habitual, sentarmo-nos no cabeleireiro e maquilharmo-nos no final. Isso não é consultoria de imagem. Isso é um serviço que sempre existiu nos espaços comerciais preparados para o efeito. A consultoria de imagem é um processo - demorado em alguns casos - e só faz sentido se a cliente for educada para mudar e para romper com aquilo que está a prejudicar a sua imagem. É à conta disto que eu também acho que uma parte das pessoas que recorrem aos serviços de imagem se decepcionam com eles. 

Como eu costumo dizer - e há muita gente que não me leva a sério - uma mulher pode estar bem vestida mesmo com roupa do chinês. Vestir bem não é vestir bom. Não é essa a minha opinião. Vestir bem é um jogo de criatividade e proporções. Há quem sabe jogar relativamente bem e há quem seja medíocre... mas com treino (e inspiração!) todos conseguem melhorar. É uma questão de prática, exercício e disponibilidade. Não sabe por onde começar? Comece pelo meu workshop sobre guarda-roupas funcionais. Vai adorar ouvir o que eu tenho para lhe contar. Mais informações através do email: CC@CCSTYLEBOOK.COM.

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