Com Quem Não Casar

segunda-feira, maio 22, 2017


 Quando uma amiga me falou neste livro eu disse logo que o queria. Sem hesitar. Quando ele me chegou às mãos vacilei. Desconfiada, naturalmente. Podia ser (mais) um grande flop. Mais um livro de auto-ajuda sem graça. Incongruente. E pouco realista. Ora vejamos: é escrito por um padre. Católico. De 81 anos. Australiano. Um padre que nunca se casou (e que faz da felicidade conjugal o tema das suas palestras). Com estas premissas é impossível uma pessoa não ficar com curiosidade para ouvir o que Pat Connor tem a dizer sobre juntar os trapinhos. Confesso. Foi o título, assertivo, que me convenceu. (e me fez confiar).

Pat é inteligente. Assim como o seu primeiro livro. Nas primeiras páginas do Com Quem Não Casar ele explica, amavelmente, porque é que decidiu escrever sobre uma coisa tão difícil como a vida a dois, e porque é que tem (alguma) autoridade no assunto. É um livro, obviamente, para mulheres. [as maiores consumidoras de bibliografia amorosa]. Mas, não obstante, não fazia nada mal alguns homens porem-lhe os olhos em cima. É que nisto da vida a dois, mais vale mesmo ser a dois, não é verdade? Não o consideraria "a" bíblia das mulheres modernas como alguém o fez - acho demasiado arriscadas essas comparações - mas antes um bom bloco de notas indispensável, recheado de conselhos úteis. Também não acho que ajude a encontrar o príncipe encantado - se ajudar, melhor - mas simplesmente porque não acredito nesse conceito dourado. Que é um bom livro de estilo - para ter em mente durante o processo de triagem - lá isso é. 

Depois de ter realizado mais de 200 matrimónios, a filosofia do padre Pat é (bem) simples e é justamente por ser tão simples que o livro se revela mais interessante do que aquilo que parece. Back to basics. Só para vos abrir (ainda) mais o apetite, o que é defendido no livro, em linhas gerais, é o seguinte: uma relação pode levar ao casamento, mas o amor por si só não faz com que um casamento funcione. Mas, existem mais conselhos nos quais Pat insiste com muita fervorosidade: 1) nunca case com um homem que é mais afectuoso em público do que em privado; 2) nunca case com um homem que não é responsável com o dinheiro; 3) nunca case com um homem que lhe permita espezinhá-lo; 4) nunca case com um homem que não tem amigos; 5) nunca case com um homem que vive debaixo das saias da mãe. E last but not least,  6) seja honesta consigo mesma.

Podem parecer conselhos muito óbvios, (e até um pouco lamechas), mas quantas de nós já não fechámos os olhos, propositadamente, a algumas das verdades que são reveladas neste livro? Quantas de nós já não permitimos comportamentos errados sabendo que eles estavam errados? Tudo em nome do casamento. Da união. Ou de qualquer coisa in between. Se vos apetecer reciclar algumas noções básicas sobre o amor e as relações entre homens e mulheres este livro é, com certeza, um bom ponto de partida. Leve, realista, curto!, sem se perder nas redundâncias daquilo que não são as uniões.

Se me permitem um último apontamento, (sem querer assustar-vos), o Com Quem Não Casar não é só bom para quem esteja a pensar casar. O Com Quem Não Casar é um excelente livro para quem se esteja a pensar divorciar (mas faz de conta que eu não deixei escapar isso, ok?). À venda, na Wook, por apenas 3€! Quem está nos Açores pode comprar online. Hip hip hurra! Hip hip hurra! Cliquem aqui se estiverem interessados em comprar. Boas leituras. E claro, bons casamentos.

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