Não se Encontra o que se Procura

terça-feira, maio 30, 2017


Volto a dizer o que aqui já disse, várias vezes, casava-me com o Miguel Sousa Tavares. Acho que temos muito em comum. Acho. Vai na volta, por termos - hipoteticamente - tanto em comum, acabávamos como cão e gato. Também acontece. Sempre gostei de o ler. E sempre gostei de o ouvir. Aliás, é justamente por isso, por gostar de o ouvir, que casaria com ele. Tenho a sensação de que poderia ficar horas a ouvi-lo sem aborrecer-me. O MST é daqueles casos em que nothing is more erotic than a good conversation. E que caso.

O nosso namoro começou há muito anos. Pela Sofia. A mãe. É impossível não ver nele continuidade. E responsabilidade. (imagino que isso às vezes possa ser mais pesado do que o que aparenta ser). Mas a escrita do Miguel é diferente. E é a forma como escreve que me faz suspeitar que temos muito em comum. Depois, virou jornalista. Autor traduzido em 11 línguas, e autor adaptado ao grande ecrã. Cobriu inúmeros eventos, muitos deles históricos. Fez guerras. Ou esteve entre guerras. Viajou por países aonde eu nunca pus os pés. Ama o mediterrâneo como eu digo amar. E aqui só para nós, aquele bronze, algarvio, a contrastar com a veste branca, nos telejornais da SIC, nas noites de Verão acrescenta, sem dúvida, mais qualquer coisa à equação. (ainda bem que nunca nos cruzámos por aí).

A imagem romântica do escritor, recolhido numa ilha, inspirado pela solidão provocada é ele. E seria eu, se fosse escritora como ele é. Bom, a Terceira não é o mediterrâneo e um blogue não é um livro, mas parte da minha admiração pelo MST nasce do facto de entender perfeitamente porque o faz. E como o faz. Mas, para além disso, existe outra razão que me faz lê-lo muito: tudo o que escreve é quase sempre biográfico. Tenho a confiança naquilo que partilha. Foi vivido. Antes de ser escrito. E isso - normalmente - é um dos primeiros requisitos que coloco para escolher um livro. (daí não gostar muito de ficção, nem de coisas do fantástico). O Não se Encontra o que se Procura é uma espécie de diário pessoal, repleto de textos soltos, variados, sobre instantes diversos da vida do autor. 

De repente estamos a viajar, com ele, pela Croácia, pela Sicília ou pelo Brasil, como no instante seguinte estamos deitados na cama de uma sala de cirurgia. É uma espécie de diário, mas não é simples. Nem leve. O Não se Encontra o que se Procura é um livro denso. Tal como a escrita do MST. Não é fácil lê-lo. (no contexto actual, é um elogio dizê-lo). O MST é um escritor inteligente que se dá ao prazer de pensar muito na vida. (e de vivê-la também). E quem pensa muito na vida, nem sempre se expressa da maneira mais fácil. Ou mais simples. Este livro é bom para quem não tiver medo de mergulhar em si.  A quem tiver, não recomendo.

Nesta obra existem duas ou três crónicas históricas chatas. Não vos vou mentir. O Miguel jornalista-historiador não me interessa muito. E não me convence. Mas o resto é delicioso. Quando comprei o livro, já estava inclinada para ele (leio o Miguel há muito tempo). O título - outra vez o título - foi decisivo. Acho os títulos fundamentais. E quem escreve, sabe como são difíceis. Depois, foliei várias páginas e encontrei isto: como é que se regressa quando não se sabe porque se partiu? Falou-me ao coração. 

E pronto, fomos para o caixa juntos. Resta-me ainda dizer-vos que o Não se Encontra o que se Procura faz parte do Plano Nacional de Leitura, estando recomendado para a formação de adultos. Encontra-se à venda na Wook.pt por 17€ e para comprá-lo podem clicar aqui. Hoje, excepcionalmente, todos os livros (excluindo escolares, técnicos e ebooks) estão com -20%. Esta campanha oferece ainda portes grátis para envios dentro de Portugal continental e -30% em envios para as ilhas dos Açores e Madeira (encomendas até 10kgs). Aproveitem! Boas leituras... e boas viagens, se gostarem delas como o MST gosta.

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