Porque é que nos estamos a envenenar?

sexta-feira, maio 05, 2017


Independentemente de estarmos doentes ou não, é preciso (re)pensar o que consumimos. Sem fundamentalismos. [não acredito nisso]. De qualquer das formas é impossível seguir em frente sem (re)considerar uma série de opções. Em particular as que são indispensáveis à nossa sobrevivência e às quais recorremos todos os dias. Um bom exemplo? A alimentação. Algumas pessoas com quem me cruzo - também elas em tratamento oncológico - partilharam comigo que baniram o açúcar do seu regime alimentar. Eu gostava de vos dizer que fiz o mesmo, mas... não é verdade. 

Quem leu alguma literatura sobre o assunto, [o Anti-Cancro escrito pelo David Servan-Schreiber é uma referência], reconhece, rapidamente, e sem reservas, que os açúcares não são promotores de um estilo de vida saudável. No entanto, entre uma coisa e outra, reconhecer e banir, vão ainda alguns passos. As pessoas nem sempre estão à espera do que eu costumo responder quanto me perguntam se também o fiz: não fiz não... se eu for desta p'ra melhor ao menos vou com a boca adoçada. (é o melhor que me ocorre de momento). Não como doces todos os dias, nem em grandes quantidades, mas quando eles aparecem, se me apetece, não os evito. E também não fico de consciência pesada. Os cancros aparecem porque têm de aparecer. Embora também seja verdade que alguns dos nossos hábitos (mais) modernos não nos estão a ajudar.

Não é preciso recuar muito no tempo para perceber como fomos seduzidos, de formas impróprias, pela sociedade do consumo e do fast-tudo-e-mais-alguma-coisa. Não é preciso recuar muito no tempo porque não sou assim tão velha. Estamos a falar de 20-25 anos atrás. A minha avó materna antes de preparar as refeições, ia ela própria à sua horta particular, e colhia o que decidia cozinhar. Repetia-o quase todos os dias. A comida era saborosa - nunca mais comi nada semelhante - e cheia de nutrientes. Era aquilo a que ainda hoje chamo de comida de verdade. Com cheiro. Brilho. E riqueza. Mesmo que se tratasse de umas pobres couves solteiras.

Apesar de eu também ter uma horta, (açoriano que se preze tem de ter), ninguém põe lá os pés, muito menos as mãos, a não ser o jardineiro que faz disso profissão. Dá mais jeito a abrir a "lata" e despejar os legumes no prato. E sabor? E brilho? E nutrientes? E... autenticidade? Até na comida é difícil de encontrá-la. Não quero, de todo, assustar-vos, mas não admira nada que adoeçamos de vez em quando. Acredito, e muito, que a alimentação é o melhor remédio que nós temos. Contudo, cuidado. Os melhores remédios também podem ser os piores venenos. Então há que investir no potencial do alimentos. Dos verdadeiros alimentos. Do que é fresco. E não processado. Do que salta do quintal, ou da horta, directamente para os nossos pratos. 

Não me tornei vegan, nem desisti do açúcar, nem aderi às papas de aveia, mas investi muito em smoothies de vegetais e frutas, tento comer peixe com mais frequência e redobrei o consumo de cereais e sementes. Vou tentanto contrabalançar todas estas mais valias com as restrições alimentares impostas nas fases em que o sistema imunitário está mais fragilizado devido aos tratamentos e à medicação (neutropenia). Passei a ser mais criteriosa com aquilo que como assim como com aquilo que consumo: cosméticos, vestuário, detergentes, desinfectantes e produtos de limpeza. E como já referi, sem fundamentalismos. A ideia é simples, se já sou obrigada a "consumir" químicos pouco recomendáveis, ao menos tento reduzir de outras formas o consumo daqueles que não me são impostos. Pensem nisso da próxima vez que forem às compras ou que decidirem cozinhar.

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4 comments

  1. Amei, disseste tudo. Tbem nao deixei de consumir acucar ate ha um mes atras, fui forcado a uma paragem provisoria lol se formos pensar bem, como disseste, tudo o que comemos nos faz mal, ate mesmo as coisas biologicas nos podem fazer mal purq a terra onde nascem ou a agua com que crescem podem estar contaminados. Citando-te, os cancros aparecem porque tem que aparecer, sim, e verdade, o estilo de vida tambem contribui mas se formos pensar so nisso, nao tiramos um pouco do prazer da vida que sao alguns alimentos. Beijinhos

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    1. Amigo, espero que voltes a poder comer as tuas gomas muito em breve :P É verdade, no nosso caso até o que vem da terra nos pode fazer mal... por isso, não podemos ser radicais! concordo contigo. Obrigada por teres vindo até aqui visitar-me :) Beijinhos

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  2. É verdade temos de começar a ter mais atenção ao que comemos e de onde vêm as coisas que compramos pois muitas vezes as doenças que temos vêm dai.

    www.ayellowrain.blogspot.com

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    1. Nem sempre vêm daí Catarina, mas podem agravar-se por causa do que comemos e dependendo de que estilos de vida adoptamos. Nada como tentar encontrar qualquer coisa perto do equilíbrio :)

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