Vitamina D

segunda-feira, maio 29, 2017

Até agora, Maio tem sido o mês mais quadripolar de todos nos Açores. Não é uma queixa. Sabemos, de antemão, com aquilo que podemos contar. Falo das típicas 4 estações num (único) dia. Saber com o podemos contar, de antemão, não significa estarmos habituados a. Não estamos. Muito menos a este Maio com cara de Novembro - como descreveu alguém que me segue no insta - que anda a testar-nos os limites. Curiosa a forma como o clima influencia a nossa vida. E a nossa personalidade. Em particular, a dos açorianos.

O tempo triste, é triste em qualquer lugar. Até nas grandes cidades. O movimento de reclusão é mais ou menos o mesmo. Mas, nos Açores, a melancolia que as nuvens trazem - e que paira sobre as nossas cabeças - talvez seja mais sentida por causa da ligação que temos à terra. O cinzento tem ocupado a maior parte do céu. E dos dias. Tem chovido. E feito vento. Mais do que o normal. Para a época. De quando em vez, lá vêem uns ligeiros rasgos de luz, aqui e ali. Sem muita demora. Um toque e foge para não sucumbirmos ao sofá. E ao marasmo, insolente, que os dias assim provocam. Ontem, viam-se corpos na praia. E crianças no mar. Hoje, está nevoeiro. E os vidros que nos separam da vida lá fora, sujos. Estamos moles. (como seria de esperar).

Não sei se os humores sarcásticos do clima são os únicos culpados da inércia humana. (não devem ser com certeza). Por vezes tenho a sensação que as pessoas se guardam. De propósito. Que não se dão ao Inverno como se dão ao Verão. Entram em modo económico. Poupança de energia. Como se a vida fizesse mais sentido decorada por um pôr de sol, uma praia ou uma esplanada... E se essa energia toda, acumulada, não se gasta, o que é que fazemos? Ganham-se créditos? Fichas para apostar mais tarde? Não sei. Diria que não.

Eu sei que o Inverno não é um adversário fácil. Os dias cinzentos, chuvosos e ventosos têm-me trancado em casa. Fujo deles para me proteger. Para não ser apanhada, desprevenida, por algumas das coisas que eles oferecem. (serão eles a única razão da minha prisão?). Não anseio, tal como todos, pelo calor. (não sou grande fã das temperaturas extremas). Mas desejo muito o sol. Mesmo que não me possa expor com o à vontade de antes. A verdade é que, em doses equilibradas, todos nós precisamos de luz. É ela, a única responsável pela fotossíntese humana. A arte de nos reciclarmos temporada a temporada. Aliás... por esta altura, já todos nós estamos a desesperar por alguma coerência climática. É que uns, mais que outros, têm muita energia acumulada para gastar.

Os dias, no Verão, ficam maiores. E se calhar é só isso. Ou é tão simples quanto isso. O Verão é sinónimo de mais. Mais tudo. Mais luz. Mais possibilidades. Mais qualquer coisa. Não parece, aparentemente, tão finito como o Inverno. Deve ser por esse motivo que todos o desejamos - e queremos - nas nossas vidas. Como símbolo (infinito) da esperança. 

Apostem tudo. Parece-me, sinceramente, uma boa jogada.

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