Dia do Sobrevivente de Cancro

domingo, junho 04, 2017

Vocês sabem que eu não sou adepta dos dias-de-qualquer-coisa. Não sou adepta dos dias, oficiais, mas sou adepta dos ideais que alguns deles promovem. Ou que deveriam promover. O que eu não aprecio, na verdade, é a hipocrisia que sublinham (e trazem ao de cima). A mesma com que algumas pessoas tentam disfarçar as falhas. Sucessivas. Dia após dia. Eu já era assim. Exigente. E meia chata. Mas fiquei pior depois da doença. Tenho necessidade de viver em verdade. Constantemente. 
(dá trabalho, imenso trabalho!)

Pelas pesquisas que fiz, Portugal não tem um Dia do Sobrevivente de Cancro. Os Estados Unidos sim. O National Cancer Survivors Day comemora-se hoje. E segundo a associação criada para o efeito, este dia existe para: celebrar a vida. Que bela ideia! Nós esquecemo-nos tanto disso que não me parece nada mal incluir lembretes desta natureza no calendário anual. Dia de dizer bom dia ao vizinho do lado, dia de tirar o som do telemóvel, dia de andar descalço na areia, dia de elogiar alguém, dia de não buzinar no trânsito, dia de sorrir para quem vai na rua, dia de dizer gosto de ti ou fazes-me falta. Enfim. Podia escrever um post só com dias-de-qualquer-coisa úteis. E pouco mercantilistas

O curioso é que para a American Cancer Society, são considerados sobreviventes os pacientes oncológicos que (já) estão livre dos tratamentos e os pacientes que ainda os realizam (o meu caso e o de outras tantas pessoas). E isso é de facto, lógico. Pelo menos para mim. O importante é celebrar a vida. Ponto. E não há nada que diga mais sobre celebrar a vida do que lutar por ela. 

Como escrevi aqui, há uns dias atrás, existem 500 mil sobreviventes de cancro em Portugal. Apesar de sabermos que o número de doentes e de novos casos vai aumentar nos próximos anos, também sabemos que a taxa de mortalidade tem vindo a diminuir em relação aos anos anteriores. São estatísticas contraditórias. Eu sei. Mas significam, sobretudo, que o cancro tem-se vindo a tornar cada vez mais uma doença crónica, e não aguda. (volto a relembrar que está a decorrer esta petição a favor do justo tempo de serviço do sobrevivente oncológico).

Se eu embarcasse na onda dos dias-de-qualquer-coisa preferiria muito mais este, o dia do sobrevivente de cancro, ao dia mundial da luta contra o cancro. Ambos têm um propósito muito parecido, mas o primeiro é inspirador. E foi esse o motivo que me levou a partilhar com vocês esta ideia. É nos 500 mil que está o foco. É para os 500 mil que trabalhamos. (uma série de pessoas). Para que possam vir a ser mais. E para que - nós também - sejamos parte deles. 

Aos que (sobre)vivem todos os dias, a luta continua.
Que a esperança - e a vida - estejam sempre connosco.

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