Granivita (e Probióticos) - Adeus Obstipação

segunda-feira, junho 05, 2017


Baby on board. Fui convidada para o babyshower de uma amiga. Prática como sou - e também porque é o segundo filho - decidi oferecer descartáveis. Aquilo que se gasta mais com recém-nascidos. Fraldas e toalhetes, portanto. Fiquei um bocadinho de tempo parada no corredor do supermercado a olhar para as prateleiras. Bem-vinda ao admirável mundo das fraldas. (o que não é novidade). São muitas marcas e quem não tem filhos não sabe quais as mais recomendáveis. Não foi fácil, confesso, até porque as únicas fraldas que comprei até à data foram... para mim.

A vida não deixa de ser irónica. Uma pessoa leva uma boa parte dos seus dias a preparar-se - ou não - para o passo seguinte, ter filhos, e de repente as primeiras fraldas que compra são para si. É aquilo a que se chama reposicionamento da marca em situações de crise. Há que olhar, para o jogo, com outra perspectiva. E repensar, urgentemente, toda a estratégia.

A minha estratégia, assim que soube que ia ter que fazer quimioterapia foi comprar fraldas. Eu tenho uma visão preventiva do caos. (sempre tive). Aliás, comprei fraldas, termómetros, (três!), máquinas para medir a tensão arterial, máquinas para medir a diabetes, muitas máscaras e desinfectantes. Não comprei um preservativo gigante para me colocar dentro, isolada de tudo e de todos, porque ainda não existe. Caso existisse, na agonia, eu era pessoa para ter experimentado.

Todos os que falavam comigo - quem já tinha passado pelo mesmo e quem não - coincidiam sempre no mesmo: diarreia e vómitos. Portanto, mentalizei-me, (sem estar mentalizada), para deitar tudo para fora. De uma forma ou de outra. As pessoas, na sua generalidade, desconhecem os efeitos secundários associados ao tratamento oncológico. São muitos. E são todos diferentes de pessoa para pessoa. As diarreias e os vómitos são os mais frequentes, daí a sua (in)popularidade. E são também dos mais difíceis de controlar. Os corticóides, aquelas pílulas mágicas que transformam alguns pacientes em peixes-balão, são usados para isso mesmo. Para suavizar os transtornos causados pela administração da quimioterapia.

Agora, ninguém me tinha falado no outro lado da moeda. Na obstipação. Sim. A quimioterapia provoca, também, obstipação. Severa. Muito severa mesmo. Foi dos efeitos secundários mais dolorosos de ultrapassar. Digo foi porque arranjei solução. E quero muito partilhá-la com vocês. Alguns fármacos utilizados na composição das drogas quimioterápicas provocam obstipação. A redução dos movimentos - por causa da hospitalização - também não ajuda. E a mudança de alimentação, ou uma dieta pobre em fibras, juntamente com os outros factores todos, faz com os intestinos parem. Literalmente. 

Os médicos são pouco receptivos à administração de medicamentos laxantes. Sinceramente, eu também. A razão deles é esta: não se consegue controlar os efeitos dos laxantes. É por isso que eles tentam evitar cair no outro extremo, isto é, provocar crises de diarreia indesejáveis (e difíceis de controlar) à custa de solucionar a obstipação. Eu não concordo porque os medicamentos laxantes actuam no momento, apenas, mas não solucionam a situação. Comigo, nada resultou. Nem a alimentação. Nem as saquetas de Laevolac. Nem os Ducolax. Esses medicamentos só me provocavam-me cólicas, insuportáveis, daquelas de uma pessoa se (con)torcer toda até rasgar os lençóis.

A obstipação severa pode escalar para as hemorróidas. Eu tive. Cheguei a contar-vos que ir à casa de banho, no hospital, era sempre um momento de (grande) tensão e sofrimento. A minha irmã, (que é muito dada a coisas naturais), investigou o tema e chegou à conclusão que o que me estava a fazer falta eram ervas. Todos nós sabemos como um bocadinho de erva nos deixa felizes! O que eu procurava era algo que fizesse o intestino funcionar sem provocar espasmos.

Granivita foi o eleito! 90 comprimidos, naturais, que rondam os 12.50€ e que reequilibram a flora intestinal. Tomava um comprimido à noite e era o suficiente para regularizar o trânsito intestinal, mas conheço outras pessoas que tomam dois a três por dia. O feedback de todos é o mesmo: obrigada menina, resultou! (agradeçam à minha irmã porque foi ela que me safou). A função do Granivita é amolecer as fezes no interior do intestino tornando mais fácil a evacuação sem provocar dor. Mas... para evitar que as crises de obstipação severa fossem recorrentes, complementei o meu regime alimentar com probióticos. (que na minha opinião são indispensáveis para quem faz tratamento oncológico).

Os probióticos são bactérias. Mas bactérias boas! Melhoram, e muito, a saúde do intestino facilitando a digestão e absorção dos nutrientes. Vocês não imaginam o que eles podem fazer por nós! Não são só aconselhados em patologias relacionadas com o intestino... Os probióticos são responsáveis pela inibição de bactérias intestinais indesejáveis, pela activação da imunidade humoral e celular e pela aumento da digestabilidade da lactose. Controlam ainda os níveis de colesterol e reduzem o risco de cancro. Podemos encontrá-los numa série de alimentos, como por exemplo os iogurtes, mas em situações críticas - de doença - devem ser reforçados. Os preços variam consoante os tipos - e quantidade - de bactérias que incluem, (podem ir dos 15€ aos 50€). Numa fase critica o melhor é começar pelos mais completos, e posteriormente, numa fase mais estável reduzi-los, sem penalizações para o organismo. 

Durante algum tempo tive receio de divulgar esta informação. (os médicos não concordam muito com estas coisas das medicinas alternativas). Mas, assumo, sem reservas, que se não tivesse recorrido aos suplementos e medicamentos naturais não tinha conseguido suportar tão bem os tratamentos intensivos como suportei. Por isso prego aos outros aquilo que deu resultado comigo. Mas atenção, eu não deixe de fazer aquilo que os médicos decidiram que seria o melhor, em termos de tratamento. Simplesmente procurei outras soluções, alternativas, que me ajudassem a dar a volta ao que a quimioterapia estava a fazer ao meu corpo. A qualidade de vida e o conforto são eixos fundamentais do tratamento, e a medicina, por muito boa que seja, ainda não é capaz de nos dar soluções para tudo.

Nas salas dos hospitais de dia fala-se muito pouco. Talvez porque, na maioria das vezes, não queremos invadir o espaço do outro. Da mesma forma que não queremos que ele invada o nosso. Mas, outro dia ouvi a conversa do lado. Enchi-me de coragem e pedi desculpa por interromper. Disse tudo o que acabei de escrever aqui. Passado uns dias voltei a cruzar-me com a mesma pessoa. Fiquei expectante. E depois suspirei de alívio. Resultou. Disse ela. É por isso que vale a pena contar-vos estas coisas. 

*comprei o Granivita e os probióticos (marca Solgar) nas lojas Celeiro (www.celeiro.pt).
Neste link, podem consultar o custo de envio de encomendas para os Açores.

Deixe um comentário

2 comments

  1. Uma pergunta parva, eu sei.
    Será que se eu tomar Granivita, porque as fezes são duras, e custam a sair, aliviar-me-á da agonia que tenho, também, que é a flatulência?
    (Vou procurar informação).

    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu diria que sim Maria, mas só experimentando.
      O Granivita amolece as fezes. Deixa de ter dificuldade.
      Quanto à flatulência, não posso garantir, mas tenho em conta que regulariza o trânsito intestinal, deve melhor.

      Eliminar